Estradas pavimentadas
De clássicos silêncios
Onde ecoam lágrimas desperdiçadas.
Nosso amor que ontem era,
Hoje, já não é mais nada.
Deixo
Os porta-retratos sem nossas fotos
E as lembranças só servam
Para serem esquecidas
Sem ternura.
Afinal, nada nos resta:
Nem amor, nem amargura.
A sala ficará escura.
O quarto permanecerá vazio.
Meu lado oblíquo guarda o que suplico
E o caminho que escolho
Também é sombrio.
O mundo anda torto.
Deixo meu poema-morto
No fundo de um rio.
Ex-amor não existe.
E parece que ainda assim resiste
O que na verdade nunca existiu.
Sorte de quem guarda
O pouco de amor que sentiu.
Hoje o dia não sabe se chove.
E eu não sei se sinto frio.
- Caco Maciel







